O PDI mais comum nas empresas brasileiras tem uma característica bem específica: foi preenchido na última semana do ciclo de avaliação, tem entre oito e doze ações, boa parte delas cursos sem relação clara com nenhum gap identificado, e ninguém vai revisá-lo até o ciclo seguinte. Não porque os líderes são negligentes — mas porque ninguém ensinou a construir o plano com critério.
Você provavelmente já identificou esse padrão na sua empresa. Sabe que o processo vai se repetir no próximo ciclo do mesmo jeito, e não tem um modelo estruturado para mudar isso de forma que qualquer líder consiga replicar.
Este artigo entrega exatamente isso: um fluxo claro de como fazer um PDI — do diagnóstico de gap à escolha do tipo de ação certo — replicável por qualquer liderança da sua empresa.
Como identificar o que o colaborador precisa desenvolver a partir do diagnóstico
Para construir um PDI, o ponto de partida é o gap de competência identificado no diagnóstico — comportamental, técnico ou híbrido. A partir daí, define-se um objetivo com critério SMART, escolhe-se o tipo de ação mais adequado ao gap, atribui-se prazo e responsável e estabelece-se como o progresso será acompanhado.
Se você ainda está estruturando o processo completo de PDI na sua empresa, o PDI como sistema integrado de desenvolvimento de pessoas pode ser o ponto de partida mais indicado. Aqui, o pressuposto é que o diagnóstico de competências já aconteceu — e a pergunta é o que fazer com ele.
O erro mais frequente na construção do PDI é ignorar o resultado do diagnóstico e listar ações pela disponibilidade: “tem um curso de Excel na próxima semana, coloca aí”. O gap identificado no mapeamento de competências é o único critério válido para selecionar o que entra no plano. Antes de qualquer objetivo ou ação, o líder precisa ler o resultado da avaliação com uma pergunta específica: o que este colaborador faz diferente de como deveria fazer, ou o que ele ainda não sabe fazer com o padrão exigido pelo cargo?
Essa leitura leva diretamente à distinção entre gaps comportamentais e técnicos — e essa distinção determina o tipo de ação do PDI, não apenas o tema. Um gap comportamental envolve atitudes, padrões de comunicação e formas de interagir com a equipe ou com processos: o que o colaborador faz. Um gap técnico envolve conhecimento de procedimento, operação de equipamento ou domínio de metodologia: o que ele sabe executar. Um operador de produção com gap em procedimento de segurança tem lacuna técnica. Um supervisor com gap em comunicação com a equipe tem lacuna comportamental. A ação certa para cada um é estruturalmente diferente.
Quando o diagnóstico revela múltiplos gaps — o que é comum —, a recomendação é priorizar pelo impacto no resultado do cargo ou equipe no próximo ciclo. PDIs com cinco ou mais gaps simultâneos são inviáveis na prática. O Formulário de PDI deve registrar os gaps priorizados, não a lista completa do diagnóstico.
Como formular os objetivos de desenvolvimento com clareza e critério
Antes de escolher as ações, os erros mais frequentes na formulação do PDI e como corrigi-los mostram que a maioria dos objetivos vagos segue o mesmo padrão — e identificar esse padrão é o primeiro passo para quebrá-lo.
Um objetivo de PDI bem formulado descreve o que o colaborador será capaz de fazer ao final do ciclo, em que contexto e com qual padrão de qualidade. Aplicando o critério SMART: o objetivo precisa ser específico (qual competência), mensurável (por qual evidência), atingível (dentro do ciclo), relevante (ao gap identificado) e temporal (com prazo definido).
A confusão mais comum é tratar o objetivo de PDI como meta de desempenho. São instrumentos diferentes. Meta de desempenho descreve o resultado que o colaborador vai entregar: “Aumentar as vendas em 15%”. Objetivo de aprendizagem descreve o que ele desenvolverá: “Ser capaz de conduzir reunião de negociação sem apoio do gerente”. O primeiro é medido por entrega; o segundo, por capacidade adquirida.
O contraste entre objetivo vago e objetivo estruturado torna o critério imediato:
❌ Objetivo vago: “Melhorar a comunicação com a equipe.”
✅ Objetivo estruturado (SMART): “Conduzir reuniões semanais de alinhamento com a equipe registrando pautas e encaminhamentos, com avaliação positiva de clareza em pelo menos 80% das reuniões avaliadas pelo time, até o fim do segundo trimestre.”
A diferença não é apenas de redação — é de verificabilidade. O segundo objetivo pode ser acompanhado, avaliado e revisado. O primeiro, não.
Qual a diferença entre ação comportamental e técnica?
Quando o gap é comportamental, o objetivo de PDI deve descrever um comportamento observável — um padrão de atitude ou interação que pode ser avaliado por quem convive com o colaborador. Quando o gap é técnico, o objetivo deve descrever a capacidade de executar um procedimento com determinado padrão de precisão ou segurança. Essa distinção importa porque ela determina como o indicador de progresso é construído — e, consequentemente, como o líder vai acompanhar a evolução do plano.
Como fazer um PDI: como escolher o tipo certo de ação para cada gap de competência
A lógica do PDI eficaz é simples: o tipo de ação deve corresponder ao tipo de gap. O que acontece na prática é o oposto — a ação é escolhida pela disponibilidade, não pela adequação. Pesquisas em educação corporativa, como as conduzidas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), apontam consistentemente que a aprendizagem por experiência prática é significativamente mais eficaz do que o treinamento formal isolado — o que tem implicação direta sobre como as ações de desenvolvimento devem ser distribuídas no PDI.
A Metodologia 70-20-10 traduz esse dado em critério operacional: 70% do desenvolvimento acontece por experiência prática (projetos, rotação, situações desafiadoras no próprio trabalho), 20% por interação social (mentoria interna, coaching com o líder, acompanhamento por pares seniores) e 10% por treinamento formal (cursos, certificações, LMS). Essa proporção não é uma regra rígida — é um referencial de distribuição para calibrar o PDI.
| Tipo de Gap | Característica principal | Distribuição 70-20-10 recomendada | Exemplos de ação |
| Comportamental | Atitudes, comunicação, gestão de pessoas, relacionamento | 70% experiência + 20% mentoria + 10% formal | Projeto desafiador, reuniões com registro, coaching com líder sênior, curso de comunicação |
| Técnico | Conhecimento de processo, operação de equipamento, normas | 70% on-the-job training + 20% acompanhamento técnico + 10% certificação/curso | Acompanhamento em linha, execução supervisionada, curso técnico, certificação |
| Híbrido | Combina lacuna de conhecimento e de comportamento | Combinação equilibrada conforme componente dominante | Trilha de aprendizagem em LMS + projeto piloto + sessão de feedback com líder |

Exemplo prático — de “participar de um curso de liderança” ao PDI que conecta ação ao gap real
Uma fabricante de embalagens de médio porte conduziu uma avaliação 180° e identificou, no Supervisor de Produção, gap comportamental em comunicação: dificuldade em comunicar expectativas com clareza e dar feedback diretivo à equipe. A ação original registrada no PDI foi “participar de treinamento de liderança situacional” — uma ação do tipo 10% (formal) para um gap predominantemente comportamental, que exigiria 70% de prática. O treinamento foi feito. No ciclo seguinte, o gap se manteve — porque nenhuma ação de aplicação prática foi estruturada.
Com a revisão do PDI pela lógica 70-20-10, as ações foram reformuladas:
- Liderar reuniões semanais de alinhamento com a equipe registrando encaminhamentos — 70%;
- Sessões mensais de acompanhamento com o gerente de planta, focadas em casos reais de liderança — 20%;
- Curso online de comunicação assertiva — 10%.
O objetivo foi reescrito:
- “Conduzir reuniões semanais com registro de encaminhamentos, com feedback positivo da equipe em avaliação 360° no próximo ciclo.”
- Prazo: 6 meses.
- Responsável pelo acompanhamento do componente 20%: gerente de planta.
O on-the-job training e a mentoria interna passaram a sustentar o desenvolvimento que o treinamento sozinho não conseguia gerar.
Como definir prazo, responsável e garantir que o PDI evolua a cada ciclo
Com gap priorizado, objetivo formulado e tipo de ação definido, o PDI ainda precisa de duas informações para sair do papel: prazo e responsável. Sem elas, o plano existe no formulário — não na realidade do desenvolvimento do colaborador.
O prazo deve ser definido pelo tipo de ação, não pelo calendário do ciclo:
- Ações do tipo 70% (experiência prática): prazo de 1 a 6 meses, conforme a complexidade da situação de aprendizagem estruturada. Projetos mais curtos e bem delimitados são mais eficazes do que exposições longas sem critério de acompanhamento.
- Ações do tipo 20% (mentoria interna ou coaching): prazo de 2 a 4 meses com frequência definida — ex.: “encontros mensais de 1 hora com o gerente sênior, focados em análise de situações reais”. Sem frequência definida, o componente 20% não acontece.
- Ações do tipo 10% (treinamento formal): prazo com data específica de início e término — vinculado ao calendário do programa, não ao ciclo de avaliação.
Quantas ações deve ter um PDI?
Um PDI com mais de cinco ações para um único ciclo é, na prática, um plano sem prazo viável. A recomendação é concentrar o cronograma de desenvolvimento em 3 a 5 ações prioritárias, selecionadas pelos gaps de maior impacto no resultado do colaborador e da equipe. PDI com doze ações é uma declaração de intenção — não um plano que alguém vai executar e acompanhar.
A divisão de responsabilidades precisa ser explícita: o colaborador é o protagonista da execução das ações; o líder é o responsável pelo acompanhamento contínuo e pelos check-ins periódicos. Essa distinção evita dois erros simétricos: o líder que “toca o PDI” pelo colaborador, e o colaborador que executa ações sem nenhuma referência de como está evoluindo.
Ao final do ciclo, o PDI deve ser revisado — não substituído. Revisar significa fechar as ações concluídas, ajustar prazos de ações em andamento e incluir gap emergente do novo diagnóstico no Objetivo de Aprendizagem registrado no Formulário de PDI. Abrir um novo PDI do zero a cada ciclo perde o histórico de desenvolvimento e cria a sensação de reinício permanente. Para entender como como o ciclo de avaliação de desempenho aciona e retroalimenta o PDI — e como calibrar os dois calendários — esse aprofundamento está no próximo nível de integração entre os processos.
Como a automação do PDI elimina o retrabalho e conecta o plano ao diagnóstico de competências
Quando o PDI é construído em planilha separada do sistema de avaliação, o analista de RH gasta tempo consolidando informações que já existem em outro lugar — e o líder começa do zero a cada ciclo, sem acesso ao histórico de gaps e ações anteriores.
Com uma plataforma integrada, o gap identificado na avaliação alimenta diretamente a construção do PDI, sem transcrição manual. Líderes têm acesso ao histórico completo do colaborador — ações concluídas, gaps fechados, objetivos revisados — no momento da reunião de construção do plano. O RH visualiza o andamento de todos os planos em um único painel, sem cobranças individuais por e-mail.
O Join RH, plataforma da Linked RH, integra o resultado da avaliação de desempenho ao PDI — o gap identificado já aparece como ponto de partida do plano, sem necessidade de transcrição. A construção do PDI é feita com base em competências já mapeadas por cargo, o líder registra objetivos e ações de desenvolvimento diretamente no sistema e o colaborador acompanha o progresso pelo Portal ou pelo aplicativo mobile.
“Ao longo de mais de 5 anos de parceria, conseguimos unificar nossos processos em um único sistema e automatizar 100% as rotinas, o que acelerou a performance da equipe e proporcionou dados e indicadores em tempo real para os gestores de pessoas”
Evelyn A. Fernandes, Desenvolvimento Humano, Unimed Apucarana.
Do diagnóstico à ação: o PDI que para de ser formulário e começa a gerar desenvolvimento real
Um PDI bem construído começa onde o diagnóstico termina — não onde o calendário de treinamentos começa. A diferença entre um plano que gera desenvolvimento e um plano de gaveta está na qualidade do objetivo e na adequação do tipo de ação ao tipo de gap.
Antes de abrir o próximo ciclo de avaliação, valide se o PDI do ciclo anterior foi revisado — não substituído. Desenvolvimento acontece em continuidade, não em reinícios anuais.

O que você pode fazer agora:
- Escolha um PDI recente da sua empresa e verifique se o objetivo descreve o que o colaborador será capaz de fazer — ou apenas o que ele vai fazer.
- Para cada ação listada nesse PDI, identifique se o tipo de ação corresponde ao tipo de gap: comportamental exige 70% de prática, técnico exige 70% de on-the-job training.
- Defina prazo por tipo de ação — não por ciclo de avaliação — e registre explicitamente quem é responsável pelo acompanhamento de cada uma.
Conheça como o Join RH conecta o diagnóstico de avaliação ao PDI e acelera a construção do plano de desenvolvimento sem planilhas paralelas.


